La Javanaise

Sonhei que estava em um apartamento, aonde parecia ter acontecido uma festinha. Estava tudo em preto e branco, como em um filme de época, e de algum modo eu sabia que estava no início dos anos 60. Vestia um mini tubinho preto com recortes brancos, sapatos de salto médio e cabelos curtos.

Era fim de festa, e eu estava cansada. Me encostei em algum sofá e alguém me cobriu com uma mantinha. Olhava as pessoas ao meu redor, já entediada, pensando em como iria para casa.

Derepente vi que alguém me observava. Com um drink em uma mão e um cigarro na outra estava de pé Serge Gainsbourg, com a mesma aparência que tinha na época de seu primeiro álbum. Fiquei sem graça e desviei o olhar. Quando tomei coragem olhei para ele novamente, e ele sorria.

Acordei apaixonada por ele. Como já me aconteceu inúmeras vezes.

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Agressividade

Uma imagem:

Um homem gritando muito, apontando o dedo na minha cara: – E tira esse seu dedo da minha cara, não admito que apontem o dedo na minha cara. Não admito!

Espanhol

Não sei ao certo que lugar estou, mas sei que é algo como uma sala de faculdade. Ando para o lado de fora e em uma calçada encontro minhas duas professora de espanhol que mais me ensinaram ao longo da faculdade: Letícia Rebollo e Bethania Guerra. A Bethânia é dançarina de dança do ventre.

Olho para as duas, sei que estou feliz de vê-las. Começo a conversar, viro-me para a Bethânia e digo:

– Beta, sonhei contigo essa noite. Sonhei que você estava dançando dança do ventre. Você estava linda.

O sonho vem inteiro a minha cabeça e ela responde:

– Nossa, Estela, faz tanto tempo que não danço. Você sonhar com isso chega a me deixa triste.

Começamos as três a rir. A conversa continua, eu continuo lá, mas vou me afastando, como se deixasse meu corpo lá, falando e minha alma fosse embora.

Sinto falta da Bethânia. E a Letícia estava feliz como nunca vi.

Óculos

Uma imagem:

Uma mulher no ônibus, sentada de frente para mim, ela usava óculos de grau por baixo de seus óculos escuros e sorria.

Felicidade em sépia

Estávamos viajando, mas ao mesmo tempo o lugar era o morro atrás da minha casa em Miguel Pereira. Eu e Juliana. As duas viajando por dentro da mata que fica trás da minha casa. Íamos andando e vendo lindas árvores de copas verde escuro, árvores antigas, de copa baixa, tronco grosso. Subíamos muito, por uma trilha. Olhando pra frente víamos outro morro e o sol amarelado no alto do céu. Estávamos bem vestidas, maquiadas, parecíamos atrizes, mas estávamos passeando, o que tornava o lugar e a nós mesmas mais bonitas, por ser natural.
No alto da montanha um carrinho. Como um carrinho de montanha russa. Entramos, as duas, nos sentamos e descemos muito rápido pela trilha que tínhamos acabado de subir. O sol estava mais baixo, já se pondo no outro morro, tornando tudo amarelado, um tom sépia, o morro a frente estava escuro, o sol lindo e nós duas rindo, falando, admirando a vista que sabíamos que não dividiríamos com mais ninguém.
Ao chegar ao chão, descemos do carrinho. A árvore estava mais escura. Passamos por baixo de seus galhos, suas folhas, nos agachamos. Tudo era lindo, eu, ela e a paisagem rindo muito. Eu olhava a Juliana e me emocionava só em saber que havia dividido tudo aquilo com ela. Uma sensação incrível de beleza e amor tomou conta de mim.
Vejo nós duas indo embora, de longe, andando nos escorando de tanto riso e amor.

Agora, ao lembrar disso, meus olhos se enchem d’água com a sensação de frescor que o sonho me causou.

Três imagens

São três imagens:

1- Um besouro enorme, do tamanho de um passarinho, com a carapaça verde escura e a parte de baixo amarela e preta, como o peito de uma cambaxirra. Ele vem em minha direção e o espanto com um casaco.

2- Olho no espelho e me vejo, com os cabelos na frente do rosto e duas mechas rosas pendem da minha franja. Está bonito, eu gosto, me sinto feliz.

3- Entro no banheiro para tomar banho. A privada está entupida, quase transborda. Dentro da água suja há pedaços de fezes e lombrigas, muitas lombrigas se movendo. Sinto nojo, imagino quem tenha feito aquilo e saio do banheiro enrolada na toalha, pensando em quem vai poder limpar aquilo.

Gengivite

Estou no dentista, sentada na cadeira. Não enxergo muito bem, não sei de onde vem a luz, nem vejo o rosto de quem me atende. É como se estivesse uma penumbra, um pouco macabro, mas estou tranquila.

“Qual sua queixa?” O dentista pergunta, digo que não sei, que estou ali para uma revisão.

Ele começa a escovar meus dentes com força, a enfiar aparelhos na minha boca agressivamente, mas ainda assim me mantenho tranquila.

Minha gengiva começa a sangrar muito. Ele me manda cuspir, estou sentada numa cadeira normal e não na típica cadeira reclinada. Cuspo para baixo a espuma vermelha que sai da minha boca e sinto um pouco de nojo.

“Gengivite. Mais alguma queixa?”

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